Ler Mia Couto é estar na presença de uma obra garantidamente bela, poética e intrigante. Este livro, considerado como um dos melhores do autor, não se desvia dessa beleza poética que tão bem caracteriza a sua obra. A escrita de Mia Couto é esteticamente sublime e os temas que aborda são deliciosamente poéticos. Ler uma obra deste autor moçambicano é enriquecedor e um verdadeiro deleite. O autor tem uma forma de escrever tão característica, sendo até a sua mais marcante contribuição para a língua portuguesa a criação de neologismos. Mas nesta obra não se nota essa característica, tirando um ou dois espalhados pelo livro. O que mais marca na leitura de Jesusalém, na minha opinião, é o seu desarmante lirismo. Desarmante porque estamos perante o que parece ser uma utopia, sítio onde não contamos encontrar algo de muito poético. Por essa razão, somos surpreendidos pela doce poesia em prosa que o autor escreve. Muitos são os autores que escrevem muito bem o português, que o levam aos seus limites, mas apenas um punhado destes consegue um tão grande lirismo e significado no que escreve recorrendo a um português simples e acessível.
A história inicia-se com a apresentação do narrador, Mwanito, "afinador de silêncios", como ele próprio se introduz. A primeira parte do livro é a descrição de como era a vida numa coutada para onde se haviam mudado ele, o seu pai, Silvestre Vitalício, o seu irmão, Ntunzi, e o ajudante do seu pai, o militar Zacaria Kalash. Jesusalém é o nome da coutada onde estes habitam, porque certo dia, após a morte da sua mulher, Dordalma, Silvestre pegara nos seus filhos e mudara-se para um sítio onde não existia tempo nem humanidade, um sítio onde mais ninguém para além deles existia. Após a apresentação das personagens que habitam Jesusalém (a que o narrador denominou de humanidade), são-nos contados vários e pontuais eventos que trazem de volta a humanidade e o tempo a Jesusalém, a narração sempre evoluindo até atingir um ponto sem retorno, onde tudo muda, não podendo voltar ao que era.
O lirismo da escrita de Mia Couto é apaixonante. A sua escrita pega-nos às suas páginas, ficamos emocionalmente colados à sua poesia autêntica. É uma autêntica pérola de palavras, uma pedra preciosa de emoções. É assim que descrevo a escrita de Mia Couto, uma jóia. Neste livro não estão presentes os neologismos que caracterizam a obra de Mia Couto, e que lhe valeram o Prémio Camões pela inestimável contribuição para a língua portuguesa, aparte um ou outro pontualmente utilizados (o que me marcou mais foi a palavra "desconsegui"). As alianças improváveis que o autor faz entre um nome e um adjetivo para criar uma ideia de união e desunião simultânea, aliadas ao ocasional neologismo, deixavam-me sempre um sorriso na boca quando os detetava. É uma escrita lírica, poética, preciosa. A língua portuguesa deve muito a Mia Couto, mesmo que não utilizemos os neologismos por ele criados quotidianamente. Quanto mais não seja, deve-lhe o facto de evoluir, de se misturar o português tradicional com o dialeto moçambicano, criando uma língua lusófona, não só de Portugal, mas de todos os países da lusofonia.
Em suma, a leitura deste livro é essencial para quem quiser contactar com o que de melhor se escreve em língua portuguesa. É uma obra poética em prosa, para ser apreciada.
Citações:
"Minha única vocação é o silêncio. Foi meu pai que me explicou: tenho inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios. Escrevo bem, silêncios, no plural. Sim, porque não há um único silêncio. E todo o silêncio é música em estado de gravidez."
"Deslumbrar, como manda a palavra, deveria ser cegar, retirar a luz. E afinal era agora um ofuscamento que eu pretendia. Essa alucinação que uma vez sentira, eu sabia, era viciante como morfina. O amor é uma morfina. Podia ser comerciado em embalagens sob o nome: Amorfina."
"- Engraçado: eu esperava que Deus viesse a Jesusalém. Afinal, quem vai chegar são estrangeiros privados.
- É assim, o mundo...
- Quem sabe os estrangeiros privados são os novos deuses?
- Quem sabe?"
Pontuação: 10/10
Poéticas leituras,
Gonçalo M. Matos
domingo, 28 de agosto de 2016
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
"A Morte de Ivan Ilitch", de Liev Tolstoi
Liev Tolstoi é um dos gigantes da literatura mundial, sendo autor de obras de peso nesta. Por isso, a melhor maneira de começar por um autor tão intemporal e universal como Tolstoi é com a sua pequena novela A Morte de Ivan Ilitch, considerada como a melhor novela da história da literatura, ou a melhor novela sobre a temática da morte. Uma obra-prima que reflete sobre a vida e a morte, e o papel do ser humano no meio destas, sobre as virtudes do ser humano e a grande mentira que é viver.
A história começa com a notícia da morte de Ivan Ilitch, o que nos transmite já a pouca importância que a narração tem, sendo a reflexão o que compõe maioritariamente a obra. Os seus amigos e familiares vão a casa deste prestar a sua homenagem. Após esta pequena introdução, o narrador descreve brevemente a vida de Ivan Ilitch, desde a infância à data do seu casamento. Após uma mudança de cidade, Ivan Ilitch vive feliz e realizado, mas por pouco tempo. Quando começa a sentir uma dor terrível e um sabor estranho na boca, não obstante os conselhos dos médicos e as palavras dos familiares, principalmente da sua mulher, Praskovia Fiodorovna, começa a entrar em depressão, atormentando-se se seriam as suas dores sinais da morte que se avizinha. Cada vez, mais deprimido e frágil, Ivan Ilitch apercebe-se de várias coisas sobre a vida e a morte, chegando a uma desconcertante conclusão sobre a vida que levou e sobre a vida que todos levam.
A novela é uma grande reflexão do protagonista sobre a justiça do que lhe aconteceu, sobre a sua vida, sobre as vidas dos outros e sobre a morte. É uma obra muito metafísica e existencialista, questionando sobre a morte, a vida e o papel do ser humano no meio destas, a sua fragilidade e impotência perante a grandiosidade da existência e a imprevisibilidade da existência. É uma obra que reflete sobre estes temas sem nos cansar, não somos sobrecarregados com filosofia em demasia nem nos desiludimos com a falta de história, tem ambos os elementos em equilíbrio. E leva-nos também a refletir sobre a nossa existência, criando-nos uma empatia com a aflição e o desespero do protagonista.
Portanto, aconselho que esta novela seja lida e apreciada. Todos nós já refletimos sobre a vida, a morte e as nossas vidas, e esta obra acrescenta-nos mais pontos de vista sobre os quais refletir. É uma novela intemporal por um génio universal.
Citações:
"Sim, a vida estava aí e vai-se embora, vai-se embora e não a posso segurar. Sim, para que me ando eu a enganar? Não é acaso bem evidente a todos, exceto a mim, que a morte mais dia menos dia me catrafila? A questão é só do número de semanas ou de dias que ainda faltam; não é verdade que posso morrer agora mesmo? Vivia na luz e eis-me envolto nas trevas."
"O exemplo de silogismo que lá ensinavam na lógica:«Caio é homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal» sempre lhe parecera muito correto com relação a Caio, mas incorretíssimo com relação a si mesmo. Tratava-se de Caio, do homem em geral, e assim muito bem."
"Chorava pensando na sua impotência, na sua horrível soledade, na crueldade dos homens, na crueldade de Deus, na ausência de Deus."
Pontuação: 8/10
Metafísicas leituras,
Gonçalo M. Matos
A história começa com a notícia da morte de Ivan Ilitch, o que nos transmite já a pouca importância que a narração tem, sendo a reflexão o que compõe maioritariamente a obra. Os seus amigos e familiares vão a casa deste prestar a sua homenagem. Após esta pequena introdução, o narrador descreve brevemente a vida de Ivan Ilitch, desde a infância à data do seu casamento. Após uma mudança de cidade, Ivan Ilitch vive feliz e realizado, mas por pouco tempo. Quando começa a sentir uma dor terrível e um sabor estranho na boca, não obstante os conselhos dos médicos e as palavras dos familiares, principalmente da sua mulher, Praskovia Fiodorovna, começa a entrar em depressão, atormentando-se se seriam as suas dores sinais da morte que se avizinha. Cada vez, mais deprimido e frágil, Ivan Ilitch apercebe-se de várias coisas sobre a vida e a morte, chegando a uma desconcertante conclusão sobre a vida que levou e sobre a vida que todos levam.
A novela é uma grande reflexão do protagonista sobre a justiça do que lhe aconteceu, sobre a sua vida, sobre as vidas dos outros e sobre a morte. É uma obra muito metafísica e existencialista, questionando sobre a morte, a vida e o papel do ser humano no meio destas, a sua fragilidade e impotência perante a grandiosidade da existência e a imprevisibilidade da existência. É uma obra que reflete sobre estes temas sem nos cansar, não somos sobrecarregados com filosofia em demasia nem nos desiludimos com a falta de história, tem ambos os elementos em equilíbrio. E leva-nos também a refletir sobre a nossa existência, criando-nos uma empatia com a aflição e o desespero do protagonista.
Portanto, aconselho que esta novela seja lida e apreciada. Todos nós já refletimos sobre a vida, a morte e as nossas vidas, e esta obra acrescenta-nos mais pontos de vista sobre os quais refletir. É uma novela intemporal por um génio universal.
Citações:
"Sim, a vida estava aí e vai-se embora, vai-se embora e não a posso segurar. Sim, para que me ando eu a enganar? Não é acaso bem evidente a todos, exceto a mim, que a morte mais dia menos dia me catrafila? A questão é só do número de semanas ou de dias que ainda faltam; não é verdade que posso morrer agora mesmo? Vivia na luz e eis-me envolto nas trevas."
"O exemplo de silogismo que lá ensinavam na lógica:«Caio é homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal» sempre lhe parecera muito correto com relação a Caio, mas incorretíssimo com relação a si mesmo. Tratava-se de Caio, do homem em geral, e assim muito bem."
"Chorava pensando na sua impotência, na sua horrível soledade, na crueldade dos homens, na crueldade de Deus, na ausência de Deus."
Pontuação: 8/10
Metafísicas leituras,
Gonçalo M. Matos
domingo, 21 de agosto de 2016
"A Queda dum Anjo", de Camilo Castelo Branco
Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda. Este é o nome do protagonista deste romance, morgado mirandês que nos é apresentado como um exemplo de retidão e de seriedade, sendo um homem estudioso e fiel à sua esposa, D. Teodora de Figueiroa. É conservador e defensor da tradição e dos bons costumes portugueses. Logo no início do romance nos é descrita a sua vida familiar antes de nos informar que Calisto foi eleito pelo círculo de Miranda como deputado, razão pela qual este parte para Lisboa. Chegado à capital, Calisto é surpreendido pela diferença entre a Lisboa descrita pelos seus clássicos e a Lisboa oitocentista em final de século, fervilhando de ideias liberais. Daqui avança a história em crescendo, sempre narrando os dois aspetos basilares desta obra: as paixões e as ideias políticas de Calisto. Não é revelação abusiva do enredo referir que ambas sofrem uma metamorfose radical. O final é tão surpreendente e romântico quanto irónico e mordaz, como apenas Camilo Castelo Branco consegue escrever.
Como referi acima, este romance é vincadamente romântico, embora se notem umas pequenas luzes que antecipam a evolução pela qual a literatura portuguesa passaria mais tarde. Todas as características românticas e camilianas se encontram presentes, como os grandes protagonistas, a tragédia do Destino, os amores, o coração versus a cabeça, a metamorfose da alma, as atribulações do sentimento. Mas notam-se também algumas características realistas, como a crítica social e a paródia dos costumes, estas duas quase sempre presentes nas obras deste autor. Estas características realistas não são tanto consideradas pelos estudiosos, a meu ver, por serem marcas da personalidade do próprio autor. Camilo Castelo Branco foi muito irónico e mordaz durante a sua vida, características essas que sempre imprimiu nas suas obras, numas mais expressamente que noutras. Por todo o romance observamos uma crítica feroz aos políticos portugueses, à futilidade dos seus discursos e à prossecução apenas dos seus interesses. Camilo Castelo Branco é considerado justamente como um dos melhores escritores da língua portuguesa, e este romance relembrou-me as razões para tal. Camilo mexe-se pela língua portuguesa como um peixe na água, brinca com as palavras, tem um à-vontade na sua língua que lhe permite conjugar as palavras de maneiras tão brilhantes quanto esteticamente perfeitas. Ler Camilo Castelo Branco é aprender a escrever bom português decentemente.
Dito isto, recomendo fortemente que este romance seja lido. Camilo Castelo Branco é dos nossos melhores escritores, e este romance, como outros, confirma-o. É um livro para ser lido, apreciado e relembrado.
Citações:
"Paupertas impulit audax. Isto que o Horácio faminto dizia de si, acomodam-no os regedores da coisa pública aos professores de primeiras letras; porém, outros muitos versos do Horácio farto, esses, tomam-nos eles para seu uso."
"Tenho aqui à minha beira o demónio da verdade, inseparável do historiador sincero, o demónio da verdade que não consentiu ao Sr. Alexandre Herculano dizer que Afonso Henriques viu coisas extraordinárias no céu do campo de Ourique, e a mim me não deixa dizer que Calisto Elói não adulterou em pensamento!"
"- Meu amigo, abra os olhos, que não há martirológio para as toupeiras. As ideias não se formam na cabeça do homem; voejam na atmosfera, respiram-se no ar, bebem-se na água, coam-se no sangue, entram nas moléculas, e refundem, reformam e renovam a compleição do homem."
Pontuação: 9.8/10
Deliciosas leituras,
Gonçalo M. Matos
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
"Memória de Elefante", de António Lobo Antunes
Quando decidi ler este livro, estava de pé atrás. De pé atrás porque já o tinha tentado ler antes e fiquei na altura desiludido e desconfiado da escrita de Lobo Antunes. Mas o tempo é algo curioso. É a importância das segundas oportunidades, eu nunca achei nada de especial a obra de Lobo Antunes até decidir dar uma segunda olhadela, fazer uma segunda análise, desta vez com maior maturidade literária. E não fiquei desiludido desta vez. Compreendo agora o porquê de Lobo Antunes ser considerado um dos gigantes da literatura portuguesa contemporânea, a sua influência nos autores que o seguiram é notável. E, sendo este o primeiro romance publicado pelo autor, revelou uma incrível maturidade literária já nessa altura que apenas se desenvolveu.
A história deste livro narra o quotidiano aborrecido e desencantado do protagonista, um psiquiatra, que se limita a existir, a ir vivendo, uma vez que se separou da mulher. Verdadeiramente, a história pouco mais é que isto. Em todos os momentos do seu dia, o protagonista pensa na sua vida, em como a sua infância revelava já uma tendência para a "desgraça", como a sua personalidade sempre afastara os que o rodeavam, em como o seu casamento apenas descurou por falta de vontade sua, em como viveu dias terríveis na guerra do ultramar. Estes são os pensamentos-chave que acompanham o protagonista ao longo das suas atividades rotineiras. Movendo-se entre consultas, acompanhamento terapêutico e a negação dos seus problemas, o psiquiatra assim vais vivendo, sempre amargamente, sempre pensando na sua mulher e nas suas filhas, de quem desistiu por pura falta de vontade e cobardia, segundo as suas próprias conclusões.
A história é narrada na terceira pessoa, o que pode indicar que este romance se trata de uma expiação das questões do próprio Lobo Antunes. Aliás, a presença do autor no romance é bastante explícita. Um psiquiatra recém-divorciado que sempre teve um gosto especial pelas letras é uma descrição que se poderia fazer do autor, tratando-se também da descrição do protagonista. É como se o autor dissesse a si próprio o que fez de mal, porque agiu como agiu, e se punisse pelas falhas que cometeu e poderia muito bem ter evitado. A estrutura deste romance apresenta já uma ou outra característica distintiva da obra de Lobo Antunes, como por exemplo o fluxo de consciência, o uso de uma ou outra palavra estrangeira, um ocasional neologismo, uns indícios de anacoluto, entre outras. O que torna a leitura de Lobo Antunes curiosa e interessante é as comparações e associações de ideias tão curiosas quanto ligeiramente aleatórias, ligando conceitos que aparentemente não se uniam, mas que resultam tão bem, uma vez associados. Já neste romance se observa a escrita labiríntica e densa que marca a obra deste autor.
Recomendo, portanto, o livro. É uma obra que marca o início de uma renovação no romance português e que inspirou a geração que se seguiu. Apesar de exigir a nossa atenção, é um romance que se lê facilmente e que possui uma escrita acessível. Um livro de introdução ao autor que deve ser lido e apreciado.
Citações:
"O próprio rio vem suspirar no fundo das retretes a sua asma sem grandeza: dobrado o cabo Bojador o mar tornou-se irremediavelmente gordo e manso como os cães das porteiras, a roçarem-nos nos tornozelos a submissão irritante dos lombos de capados."
"num restaurante francês em que o preço dos pratos obrigava a consumir as pastilhas para a azia que a suavidade do filet mignon poupava."
"e o médico pensou com melancolia em como é difícil educar os adultos, tão pouco atentos à importância vital de uma pastilha elástica ou de uma caixa de plasticina, e tão preocupados com a ninharia idiota dos bons modos à mesa"
Pontuação: 8/10
Afortunadas releituras,
Gonçalo M. Matos
A história deste livro narra o quotidiano aborrecido e desencantado do protagonista, um psiquiatra, que se limita a existir, a ir vivendo, uma vez que se separou da mulher. Verdadeiramente, a história pouco mais é que isto. Em todos os momentos do seu dia, o protagonista pensa na sua vida, em como a sua infância revelava já uma tendência para a "desgraça", como a sua personalidade sempre afastara os que o rodeavam, em como o seu casamento apenas descurou por falta de vontade sua, em como viveu dias terríveis na guerra do ultramar. Estes são os pensamentos-chave que acompanham o protagonista ao longo das suas atividades rotineiras. Movendo-se entre consultas, acompanhamento terapêutico e a negação dos seus problemas, o psiquiatra assim vais vivendo, sempre amargamente, sempre pensando na sua mulher e nas suas filhas, de quem desistiu por pura falta de vontade e cobardia, segundo as suas próprias conclusões.
A história é narrada na terceira pessoa, o que pode indicar que este romance se trata de uma expiação das questões do próprio Lobo Antunes. Aliás, a presença do autor no romance é bastante explícita. Um psiquiatra recém-divorciado que sempre teve um gosto especial pelas letras é uma descrição que se poderia fazer do autor, tratando-se também da descrição do protagonista. É como se o autor dissesse a si próprio o que fez de mal, porque agiu como agiu, e se punisse pelas falhas que cometeu e poderia muito bem ter evitado. A estrutura deste romance apresenta já uma ou outra característica distintiva da obra de Lobo Antunes, como por exemplo o fluxo de consciência, o uso de uma ou outra palavra estrangeira, um ocasional neologismo, uns indícios de anacoluto, entre outras. O que torna a leitura de Lobo Antunes curiosa e interessante é as comparações e associações de ideias tão curiosas quanto ligeiramente aleatórias, ligando conceitos que aparentemente não se uniam, mas que resultam tão bem, uma vez associados. Já neste romance se observa a escrita labiríntica e densa que marca a obra deste autor.
Recomendo, portanto, o livro. É uma obra que marca o início de uma renovação no romance português e que inspirou a geração que se seguiu. Apesar de exigir a nossa atenção, é um romance que se lê facilmente e que possui uma escrita acessível. Um livro de introdução ao autor que deve ser lido e apreciado.
Citações:
"O próprio rio vem suspirar no fundo das retretes a sua asma sem grandeza: dobrado o cabo Bojador o mar tornou-se irremediavelmente gordo e manso como os cães das porteiras, a roçarem-nos nos tornozelos a submissão irritante dos lombos de capados."
"num restaurante francês em que o preço dos pratos obrigava a consumir as pastilhas para a azia que a suavidade do filet mignon poupava."
"e o médico pensou com melancolia em como é difícil educar os adultos, tão pouco atentos à importância vital de uma pastilha elástica ou de uma caixa de plasticina, e tão preocupados com a ninharia idiota dos bons modos à mesa"
Pontuação: 8/10
Afortunadas releituras,
Gonçalo M. Matos
sexta-feira, 22 de julho de 2016
"Aparição", de Vergílio Ferreira
Aparição é talvez o romance de Vergílio Ferreira no qual está presente toda a sua temática literária. A preocupação existencial da condição do homem é uma constante na obra do autor, sendo que é neste livro que se encontra mais aprofundada.
A história que nos é apresentada neste romance é secundária, é uma mera desculpa do autor para poder anunciar os seus pensamentos, as suas dúvidas e as suas cogitações mais profundas sobre o lugar do ser humano na insondável grandeza da existência. A história segue o atribulado quotidiano do narrador, Alberto Soares, após a sua chegada a Évora para dar aulas no liceu. As suas divagações levam-no a travar conhecimento com o doutor Moura, um velho amigo do seu falecido pai, através do qual conhece os restantes protagonistas deste romance. Por sugestão de Moura, Alberto propõe-se a dar lições de latim a uma das filhas deste, Sofia. Após vários serões com esta e com a família do doutor Moura, o narrador parte de férias em busca de tranquilidade, passando esse Natal com a sua família. Mas essa almejada tranquilidade é interrompida no final das férias, e eis que o protagonista regressa a Évora para retomar as suas aulas. A partir deste ponto, a história vai ficando muito pouco desenvolvida, sendo que apenas são narrados os eventos-chave do quotidiano do narrador e dos restantes personagens.
Mas a história é o que menos importa neste romance existencialista. Como já referi, a história neste livro não passa de uma desculpa quase que esfarrapada que o autor dá para poder escrever sobre as suas ideias e teorias sobre o lugar do homem no mundo. Todo o livro é percorrido de descrições magníficas dos diversos locais frequentados pelo narrador e por profundas meditações sobre a existência humana e a perceção que cada um tem sobre esta. O autor revela mais a sua faceta de ensaísta que de ficcionista neste romance, sendo que a obra não é mais que uma grande meditação sobre a vida e a existência humana mascarada de história.
Achei curioso esse aspeto da obra de Vergílio Ferreira, particularmente deste Aparição, o de que faz um esforço por agradar dois tipos de leitores. Tanto os leitores que preferirem um grande ensaio filosófico sobre o lugar do homem no mundo como os leitores que apreciarem uma história simples recheada de inquietações e de descrições maravilhosas da natureza encontram neste livro uma satisfação às suas preferências.
Recomendo, portanto, a leitura deste livro. Mas aviso que pode tornar-se maçudo por vezes, para quem não estiver habituado a leituras mais "pesadas" ou para quem olhe apenas para a história, esquecendo a faceta filosófica. Mas que deve ser lido, deve.
Citações:
"Por enquanto sinto a evidência de que sou eu que me habito, de que vivo, de que sou uma entidade, uma presença total, uma necessidade do que existe, porque só há eu a existir, porque eu estou aqui, arre!, estou aqui, EU, este vulcão sem começo nem fim, só atividade, só estar sendo, EU, esta obscura e incandescente e fascinante e terrível presença que está atrás de tudo o que digo e faço e vejo - e onde se perde e esquece."
"- Bem... Não sei como explicar. É assim: mastigar as palavras.
- Mastigar as palavras?
- Bem... É assim: a gente diz, por exemplo, pedra, madeira, estrelas ou qualquer coisa assim. E repete: pedra, pedra, pedra. Muitas vezes. E depois, pedra já não quer dizer nada."
"Nós, os homens das contas complexas de quem aprendeu mais do que as quatro operações, das bibliotecas de catacumbas de quem ousou mais do que o á-bê-cê, de quem arriscou as ideias e as não gastou em palavras, sabemos que a discussão se não esgotou num simples voltar de costas, numa troça de desprezo, embora soberana e eficaz como a das crianças."
Pontuação: 6.9/10
Meditativas leituras,
Gonçalo M. Matos
A história que nos é apresentada neste romance é secundária, é uma mera desculpa do autor para poder anunciar os seus pensamentos, as suas dúvidas e as suas cogitações mais profundas sobre o lugar do ser humano na insondável grandeza da existência. A história segue o atribulado quotidiano do narrador, Alberto Soares, após a sua chegada a Évora para dar aulas no liceu. As suas divagações levam-no a travar conhecimento com o doutor Moura, um velho amigo do seu falecido pai, através do qual conhece os restantes protagonistas deste romance. Por sugestão de Moura, Alberto propõe-se a dar lições de latim a uma das filhas deste, Sofia. Após vários serões com esta e com a família do doutor Moura, o narrador parte de férias em busca de tranquilidade, passando esse Natal com a sua família. Mas essa almejada tranquilidade é interrompida no final das férias, e eis que o protagonista regressa a Évora para retomar as suas aulas. A partir deste ponto, a história vai ficando muito pouco desenvolvida, sendo que apenas são narrados os eventos-chave do quotidiano do narrador e dos restantes personagens.
Mas a história é o que menos importa neste romance existencialista. Como já referi, a história neste livro não passa de uma desculpa quase que esfarrapada que o autor dá para poder escrever sobre as suas ideias e teorias sobre o lugar do homem no mundo. Todo o livro é percorrido de descrições magníficas dos diversos locais frequentados pelo narrador e por profundas meditações sobre a existência humana e a perceção que cada um tem sobre esta. O autor revela mais a sua faceta de ensaísta que de ficcionista neste romance, sendo que a obra não é mais que uma grande meditação sobre a vida e a existência humana mascarada de história.
Achei curioso esse aspeto da obra de Vergílio Ferreira, particularmente deste Aparição, o de que faz um esforço por agradar dois tipos de leitores. Tanto os leitores que preferirem um grande ensaio filosófico sobre o lugar do homem no mundo como os leitores que apreciarem uma história simples recheada de inquietações e de descrições maravilhosas da natureza encontram neste livro uma satisfação às suas preferências.
Recomendo, portanto, a leitura deste livro. Mas aviso que pode tornar-se maçudo por vezes, para quem não estiver habituado a leituras mais "pesadas" ou para quem olhe apenas para a história, esquecendo a faceta filosófica. Mas que deve ser lido, deve.
Citações:
"Por enquanto sinto a evidência de que sou eu que me habito, de que vivo, de que sou uma entidade, uma presença total, uma necessidade do que existe, porque só há eu a existir, porque eu estou aqui, arre!, estou aqui, EU, este vulcão sem começo nem fim, só atividade, só estar sendo, EU, esta obscura e incandescente e fascinante e terrível presença que está atrás de tudo o que digo e faço e vejo - e onde se perde e esquece."
"- Bem... Não sei como explicar. É assim: mastigar as palavras.
- Mastigar as palavras?
- Bem... É assim: a gente diz, por exemplo, pedra, madeira, estrelas ou qualquer coisa assim. E repete: pedra, pedra, pedra. Muitas vezes. E depois, pedra já não quer dizer nada."
"Nós, os homens das contas complexas de quem aprendeu mais do que as quatro operações, das bibliotecas de catacumbas de quem ousou mais do que o á-bê-cê, de quem arriscou as ideias e as não gastou em palavras, sabemos que a discussão se não esgotou num simples voltar de costas, numa troça de desprezo, embora soberana e eficaz como a das crianças."
Pontuação: 6.9/10
Meditativas leituras,
Gonçalo M. Matos
quinta-feira, 7 de julho de 2016
"Para Onde vão os Guarda-chuvas", de Afonso Cruz
O pano de fundo deste romance é um Oriente como julgamos, nós, ocidentais, que ele é, com todos os seus aspetos positivos e negativos. A história segue as vidas de Fazal Elahi, um homem modesto cuja maior ambição é passar despercebido, o seu primo Badini, um dervixe (monge errante) mudo, que fala com as mãos, sendo tudo o que diz a mais bela das poesias e a sua irmã Aminah, que berra muito e sonha casar um dia. Estes três personagens compõem a primeira parte do romance, juntamente com a mulher de Elahi, Bibi, e o filho deles, Salim. A segunda parte do romance conta com os mesmos três personagens, acompanhados agora por um indiano apaixonado, Nachiketa Mudaliar, e o filho adotivo de Elahi, Isa. Ao longo do romance vão aparecendo outros personagens que contribuem para o desenlace, como o general Ilia Vassilyevitch Krupin, o mulá Mossud e o jovem Dilawar Krupin. A história possui, do princípio ao fim, um teor de esperança mas de inevitável fatalismo, recheada de um cuidado humanismo na descrição e desenvolvimento dos personagens.
Agora, as características que acrescentam ao romance algo de artisticamente brilhante: imagens, fotografias e plasticidade textual. Afonso Cruz auxiliou-se de fotografias de um tabuleiro e das suas peças de xadrez que incluiu em páginas pontuais do romance, como ilustração da história que se desenvolvia. Estão também presentes algumas ilustrações do próprio autor. As páginas tinham por vezes plasticidades textuais, imagismos criados pela estruturação das frases e das palavras. Um exemplo que me ocorre agora, é uma página onde se lê a palavra "desculpa" várias vezes repetida, formando uma rua de um quarteirão de uma cidade. Outra característica, e desta gostei especialmente, foi o capítulo cujas páginas eram pretas e as letras brancas, que eu achei imensamente divertido e interessante do ponto de vista estético. Outro exemplo é um capítulo inteiro composto simplesmente pela repetição da mesma palavra três vezes: "Escarlatina, escarlatina, escarlatina", simplesmente.
É um romance brilhante de um autor genial que me deu um enorme prazer de leitura. Devo muito a este autor por me proporcionar momentos de verdadeiro prazer estético quando leio os seus escritos. E não vou parar por aqui. Irei ler tudo o resto de Afonso Cruz. Em suma, este romance é uma obra genial que deve ser lida. Afonso Cruz merece e deve ser lido. É maravilhoso.
Citações:
"
e um devoto como o mulá Mossud?
O devoto, num naufrágio,
salva o seu tapete de orações.
O sábio salva
o homem que se afoga."
"Já reparou que entre os animais é o líder que vai combater com o líder rival? Os animais não mandam os peões para debaixo dos cavalos. No reino animal, os líderes são os primeiros. Se nós fizéssemos o mesmo, os conflitos seriam substancialmente diferentes. E o mesmo princípio não seria aplicado apenas em casos de guerra, Sr. Elahi, mas também em todas as vertentes da sociedade."
"Para onde vão os guarda-chuvas? São como as luvas, são como uma das peúgas que formam um par. Desaparecem e ninguém sabe para onde. Nunca ninguém encontra guarda-chuvas, mas toda a gente os perde. Para onde vão as nossas memórias, a nossa infância, os nossos guarda-chuvas?"
Pontuação: 10/10
Brilhantes leituras,
Gonçalo M. Matos
terça-feira, 21 de junho de 2016
"Quando Ruiu a Ponte sobre o Tamisa", de Ana Gil Campos
Após a leitura desta obra, fico um bocado na dúvida. Fiquei não na dúvida quanto ao talento da escrita da autora, que é impecável, nem quanto aos temas, que são temas que atravessam a intemporalidade da literatura. Não, a dúvida que me foi deixada foi quanto à história que serve de base. Fiquei um bocado de pé atrás quanto à história, é da minha opinião que talvez a qualidade da escrita e a pertinência dos temas não se tenha bem enquadrado com a história deste livro. Posto isto, fico sem saber se é de mim ou se será do romance, mas não me satisfez a leitura deste Quando Ruiu a Ponte sobre o Tamisa tanto como o anterior livro desta autora.
Dito isto, a história. Chandni é uma princesa indiana que, durante uma visita à sua família na Índia, encontra na rua uma rapariga em péssimo estado e decide ajudá-la, levando-a para a sua casa e tratando dela lá. Quando a rapariga, que diz chamar-se Paula, recupera, convida Chandni a viver uma aventura consigo, em Goa. Este evento marca o início do resto da narração. A partir de Goa, Chandni entra em contacto direto com a vida, um contacto que nunca sentira plenamente antes, devido à infância privilegiada que teve e à ingenuidade de quem pensa que tudo é perfeito (a sua vida era percecionada por si como sendo perfeita). Após um regresso a Londres, Chandni e o seu marido, Nadir, viajam para Portugal, ficando a viver no Palácio da Pena, em Sintra. Aqui, a vida e as certezas de Chandni serão todas abaladas, um evento irá motivar uma série de dúvidas, questões e inseguranças que a farão questionar o porquê e o como de tudo o que a rodeia.
Os aspetos negativos que atribuo ao romance são a confusão que causa a sua leitura. Há vários aspetos e pormenores que são deixados sem resposta ou que parecem inseridos onde estão só porque sim que confundem a leitura. Se a intenção da autora era criar mistérios e ambiguidades, tentou-o sem sucesso, uma vez que este tipo de temáticas não encaixa bem com as ambiguidades que a autora tentou introduzir.
Ditos os aspetos negativos, passo aos positivos. Mais uma vez é revelado o enorme talento que a autora tem para as palavras. As descrições são imensamente belas e intensamente descritivas, têm vida, saltam das páginas. Podemos sentir com os sentidos todos as descrições que a autora faz. Há, dos elementos ambíguos que falei anteriormente, alguns que são muito bem aplicados. A existência, por exemplo, do seu confidente, que é nada mais que Gandhi, do seu protetor sempre vigilante, a coruja, e da sua alma representada fisicamente na figura do flamingo (isto, claro, de acordo com a interpretação subjetiva que fiz). Quero também mencionar e aplaudir a forma como a autora dividiu o livro. O livro está dividido em cinco partes, cada uma com uma especiaria específica atribuída a si, que representa um dos personagens descritos por Chandni, sendo que no início de cada parte está uma passagem que irá ser lida mais adiante nessa parte.
Colmatando, é um livro que revela, como o anterior da autora, o seu incrível talento como escritora, não obstante os aspetos que me deixaram um bocado de pé atrás desta vez. Mas pode ter sido apenas impressão minha. Não somos todos iguais e claro que recomendo a sua leitura a outros que talvez vejam o que não vi, compreendam o que não compreendi.
Citações:
"A alma de Paula tem um aroma intenso que permanece mesmo quando ela não se encontra presente, da sua voz quente saem palavras acres e o seu olhar tem um toque adstringente. A alma de Paula é como o cravo-da-índia."
"Não vale a pena enganarmo-nos de que um inimigo poderá vir a tornar-se num verdadeiro amigo, uma amizade assim é alimentada por interesses e nunca será inteiramente pura e desinteressada. Mas a sociedade é feita de relações assim."
"Só porque a verdade de hoje é diferente da verdade de ontem, não significa que a verdade de ontem fosse menos verdadeira. Se nós e o nosso contexto mudam, como não mudará a verdade também?"
Pontuação: 7.2/10
Boas leituras,
Gonçalo M. Matos
Dito isto, a história. Chandni é uma princesa indiana que, durante uma visita à sua família na Índia, encontra na rua uma rapariga em péssimo estado e decide ajudá-la, levando-a para a sua casa e tratando dela lá. Quando a rapariga, que diz chamar-se Paula, recupera, convida Chandni a viver uma aventura consigo, em Goa. Este evento marca o início do resto da narração. A partir de Goa, Chandni entra em contacto direto com a vida, um contacto que nunca sentira plenamente antes, devido à infância privilegiada que teve e à ingenuidade de quem pensa que tudo é perfeito (a sua vida era percecionada por si como sendo perfeita). Após um regresso a Londres, Chandni e o seu marido, Nadir, viajam para Portugal, ficando a viver no Palácio da Pena, em Sintra. Aqui, a vida e as certezas de Chandni serão todas abaladas, um evento irá motivar uma série de dúvidas, questões e inseguranças que a farão questionar o porquê e o como de tudo o que a rodeia.
Os aspetos negativos que atribuo ao romance são a confusão que causa a sua leitura. Há vários aspetos e pormenores que são deixados sem resposta ou que parecem inseridos onde estão só porque sim que confundem a leitura. Se a intenção da autora era criar mistérios e ambiguidades, tentou-o sem sucesso, uma vez que este tipo de temáticas não encaixa bem com as ambiguidades que a autora tentou introduzir.
Ditos os aspetos negativos, passo aos positivos. Mais uma vez é revelado o enorme talento que a autora tem para as palavras. As descrições são imensamente belas e intensamente descritivas, têm vida, saltam das páginas. Podemos sentir com os sentidos todos as descrições que a autora faz. Há, dos elementos ambíguos que falei anteriormente, alguns que são muito bem aplicados. A existência, por exemplo, do seu confidente, que é nada mais que Gandhi, do seu protetor sempre vigilante, a coruja, e da sua alma representada fisicamente na figura do flamingo (isto, claro, de acordo com a interpretação subjetiva que fiz). Quero também mencionar e aplaudir a forma como a autora dividiu o livro. O livro está dividido em cinco partes, cada uma com uma especiaria específica atribuída a si, que representa um dos personagens descritos por Chandni, sendo que no início de cada parte está uma passagem que irá ser lida mais adiante nessa parte.
Colmatando, é um livro que revela, como o anterior da autora, o seu incrível talento como escritora, não obstante os aspetos que me deixaram um bocado de pé atrás desta vez. Mas pode ter sido apenas impressão minha. Não somos todos iguais e claro que recomendo a sua leitura a outros que talvez vejam o que não vi, compreendam o que não compreendi.
Citações:
"A alma de Paula tem um aroma intenso que permanece mesmo quando ela não se encontra presente, da sua voz quente saem palavras acres e o seu olhar tem um toque adstringente. A alma de Paula é como o cravo-da-índia."
"Não vale a pena enganarmo-nos de que um inimigo poderá vir a tornar-se num verdadeiro amigo, uma amizade assim é alimentada por interesses e nunca será inteiramente pura e desinteressada. Mas a sociedade é feita de relações assim."
"Só porque a verdade de hoje é diferente da verdade de ontem, não significa que a verdade de ontem fosse menos verdadeira. Se nós e o nosso contexto mudam, como não mudará a verdade também?"
Pontuação: 7.2/10
Boas leituras,
Gonçalo M. Matos
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